Cientistas descobrem forma de “plantar” água

Cientistas do Instituto de Ecologia e Pesca em Água Doce de Leibniz, na Alemanha, desenvolveram um modelo matemático capaz de refletir as complexas interações entre solo, vegetação e o regime hidrológico de uma região. Por exemplo, eles descobriram que em regiões de floresta de faia a água fica em constante circulação entre o nível do solo e o da vegetação, aumentando a vaporização para a atmosfera, enquanto tapetes de gramíneas garantem que a água da chuva seja recolhida, promovendo todo o ciclo novamente.

Assim, com o modelo EcH2o-iso que foi desenvolvido, os pesquisadores conseguem quantificar quando, como e por quanto tempo a água de uma região fica estocada antes de ser liberada para o ambiente, tornando mais fácil prever os efeitos que o uso da agronomia tem sobre o ciclo da água de uma região durante as mudanças climáticas. Esse conhecimento se torna ainda mais importantes em regiões secas (como o Sertão do Nordeste), pois permitiria o desenvolvimento de estratégias para proteger os recursos hídricos da região, aumentando a resistência do solo contra as mudanças climáticas.

De acordo com o professor Doerthe Tetzlaff, líder dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, até agora a vegetação de um ambiente tem sido pensada apenas com o intuito de prevenir a erosão do solo. Todavia, com as novas descobertas, o panorama muda, e é possível planejar quais plantas podem ser cultivadas para controlar a retenção ou a perda de água pelo solo, ajudando a equilibrar regiões que sofrem com inundações ou secas. Assim, de forma bem crua e resumida, seria possível usar diferentes tipos de plantas para aumentar a concentração de água em uma determinada região, criando uma “plantação de água”.

Isso é possível porque, ao contrário dos modelos atuais de previsão — que consideram a vegetação como um elemento estático — o algoritmo desenvolvido por Tetzlaff também considera as complexas interações de evaporação e transpiração que existem entre a água das plantas e a água do solo. Graças a isso, é possível alcançar previsões mais confiáveis de como o solo realmente se comporta durante as mudanças climáticas e como isso pode afetar a quantidade de água presente no solo.

O maior problema dos cientistas é que ainda não é possível efetuar essas previsões em larga escala, já que os efeitos do clima são muito diferentes de uma região para outra, pois dependem de fatores como a evapotranspiração das plantas, a biogeografia e a ecologia da paisagem de um determinado ecossistema. Mas, com a ajuda do novo modelo de previsão, essas diferenças podem finalmente ser levadas em conta, possibilitando a criação de modelos de previsão não apenas locais, mas também em larga escala em um futuro não muito distante.

Fonte: Science Daily

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