5 coisas que aprendi em 4 startups diferentes

O primeiro contato do ingressante na universidade é maravilhoso. Ficamos impressionados com tudo e com todos, ansiosos pelos resultados e desafios e afim de aproveitar todas as oportunidades que aparecem à nossa frente. Essa magia começa a desaparecer com o decorrer do curso, entendemos melhor como funciona na prática a universidade e suas burocracias, e no meu caso isso ocorreu no segundo semestre.

Neste ambiente já um pouco desacreditado comecei apostar em projetos paralelos ao curso, e em um desses fundei minha primeira startup: a GoTronics, uma iniciativa voltada para desenvolvimento de projetos eletrônicos. Nesta primeira experiência surgiu minha primeira lição sobre a jornada de startups:

 

1 – Tenha métodos

 

Errar é humano, mas isso significa que PODEMOS errar e não que DEVEMOS. A inteligência humana na sua essência é feita para prever esses erros e alguém sempre trilhou o caminho mais difícil antes de você. Por mais que muitas vezes as literaturas sejam um pouco entediantes, as pessoas que enfrentaram esses caminhos antes criaram maneiras de tornar a vida de quem vem atrás mais fácil.

Na jornada empreendedora encontramos vários métodos e maneiras de gerir, criar e desenvolver nossos negócios, e sim alguns são úteis. Um grande erro na GoTronics foi achar que a maneira que estávamos fazendo era suficiente para desenvolver nosso negócio, demos alguns passos precipitados que culminaram no fim da startup. Não estou falando que muitas vezes o feeling não é importante nesse processo, mas apenas que alguns passos podem ser seguidos para diminuir o risco das decisões que temos que tomar. A mistura perfeita de intuição e método cada empresa vai ter a sua, e cabe a quem administra calcular e ponderar os dois.

Aproximadamente um ano após o fim da GoTronics, em uma manhã de um dia da semana fui acordado por um colega de república contando que a bicicleta nova dele tinha sido roubada. A incapacidade de saber onde estava foi o combustível inicial para criarmos nossa segunda startup: a Trackeasier, um dispositivo rastreador aliado a uma plataforma voltados para a localização de bicicletas. Acredito que as duas lições que aprendi durante minha permanência na Trackeasier tenham sido as que mais custaram a ficar claras para mim.

 

2 – Solucione algo e valide de verdade.

 

Acredite, seu produto não valerá um centavo até alguém dar um real valor a ele. Se nada está sendo resolvido com ele além da sua vontade de criar talvez o caminho que você está seguindo não é o mais assertivo. A Trackeasier passou exatamente por isso, estávamos tentando solucionar uma dor que o cliente não tinha, passamos um ano tentando validar um problema que a maioria esmagadora dos ciclistas resolviam de várias maneiras mais simples e úteis.

A validação é mais um processo de observação do que de questionamento. A maioria das pessoas quando são perguntadas se gostam de banana (a não ser os que realmente não gostam do sabor) vão dizer que sim, que gostam de banana, afinal bananas são doces, saudáveis, fáceis de comer, etc. A verdadeira validação é quando você observa o hábito dessa pessoa no almoço por exemplo, no momento que ela tem que tomar a decisão se deve ou não pegar a banana e colocar na bandeja. Com toda certeza o número de pessoas que vão recusar a banana será bem maior que os dados que colocamos na validação questionada anteriormente. Não crie dores e problemas nas pessoas e sim entenda e filtre as que são de verdade.

 

3 – A equipe é o ponto vital de todo negócio

 

Se existe um coração em uma startup, eu arriscaria sem medo que este é a equipe por trás do negócio. Na Trackeasier aprendi isso na pele, os sócios além de colegas de trabalho também eram muito amigos meus, pessoas de personalidades fortes e algumas vezes conflitantes.

Alguém sempre precisa gerenciar as personalidades, os psicológicos, as energias, a motivação da equipe. Pode parecer bobagem para muitas equipes, mas o tempo passa e as pessoas mostram atitudes que não conseguimos apenas ignorar e seguir em frente, tornando o ambiente profissional em uma espécie de reality show. Isto que me fez verdadeiramente deixar a Trackeasier, jamais isentando minha personalidade dos conflitos, mas estes tomaram proporções que saíram do âmbito da startup e tornaram a convivência e trabalho com os meus sócios um pouco complicadas.

Saber quem está completando o time e quem está apenas participando é importante, a função de sócios dentro de uma startup vai muito além de apenas desenvolver. Sempre que for necessário tenha coragem e mude as peças do jogo, mesmo quando a peça com problema é você.

Mais um ano se passou desde que deixei a Trackeasier e em um uma tarde navegando no facebook encontrei encontrei um anúncio de estágio em uma startup de alguns conhecidos. Mandei uma mensagem para o sócio, conversamos e fui convidado a participar da empresa. Mas o período que permaneci foi bastante curto, devido a uma época muito ruim pessoalmente na qual eu me encontrava. Nesta aprendi a lição que acho mais importante:

 

4 – Esteja bem com você

 

Lembra o papo de gerenciar psicológicos, energias e motivações da equipe? Devemos ter um gerenciamento menor (mas não menos complexo) de você por você mesmo. Eu estava em um período depressivo na minha vida quando aceitei a oportunidade, e mesmo com grandes oportunidades e pessoas muito competentes ao meu lado não consegui render dentro da equipe. Batendo na mesma tecla, você faz parte da equipe e a equipe vai refletir o que e como você pensa e age.

Os sócios que já estavam antes de mim não tiveram receio de conversar comigo e mudar as peças do jogo. Mesmo sendo parte envolvida, concordo plenamente com a decisão de me afastarem e creio que foi importante para o sucesso que a startup vive hoje.

Não se superestime, nem tecnicamente, nem pessoalmente. Os desafios são grandes e difíceis, muitos tentam mas apenas os fortes vão longe.

 

E agora, mais recentemente encarei mais um projeto e novamente estou com as minhas esperanças renovadas e mais do que nunca centrado no que quero. Minha atual startup desenvolve soluções de monitoramento de estruturas como barragens por exemplo. Tão cedo aprendi mais uma das lições que está me motivando muito.

 

5 – Se tudo estiver bem, mergulhe.

 

Parece óbvio falar isso mas conheço pessoas de potencial gigantesco mas que não se arriscam e não mergulham em seus projetos. Não há sucesso sem risco e venho aprendendo isso a cada dia, a cada desafio que em minha frente aparece. Tenho ao meu lado pessoas inspiradoras e temos mentalidades alinhadas. Este é o terreno mais fértil possível para sucessos crescerem e as oportunidades aparecerem. E quando elas aparecerem no horizonte agarre-as e aproveite o momento.

 

É claro que continuo todo dia errando, acertando e aprendendo. Espero daqui alguns anos ter mais dicas. Abrir a mente e aprender com o que nós mesmo erramos foi uma vitória pessoal enorme que conquistei e recomendo a qualquer um que pretenda se entregar em projetos que envolvam desafios, riscos e superações.

 

 

Texto por Luiz Henrique Esper

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