As 5 coisas que APRENDI com o FIM da minha primeira startup.

 

É Maio de 2016 e alguém bate na porta do meu quarto. Eu autorizo a entrada, o Luigi entra no meu quarto e me faz uma pergunta:

“Roriz, você gostaria de participar como desenvolvedor Android na startup que eu estou começando?”

Foi com esse convite — inusitado, por sinal — que a Trackeasier (startup de monitoramento inteligente de bicicletas) começou e com ela a minha primeira experiência tangível com empreendedorismo. Nesse momento, questionei a minha capacidade em assumir essa responsabilidade uma vez que eu nunca tinha feito algo semelhante anteriormente. Mas tomei uma das melhores decisões da minha vida e aceitei o convite.

Esse “sim” foi o gatilho de uma jornada bastante difícil (afinal, startup de HARDware é HARD) mas também com aprendizados essenciais que me trouxe maior maturidade profissional. E nesse artigo eu gostaria de compartilhar os 5 principais aprendizados que obtive durante um ano e meio de operações na Trackeasier.

 

 

Seu time é o coração da sua startup

Pra mim é claro como a água que a parte mais IMPORTANTE de uma startup é a EQUIPE. Afinal é a base que irá suportar os momentos difíceis, fazer as mudanças/pivotagens, superar as barreiras e toda parte darkness — intrínseca — de uma jornada.

Eu fui abençoado com os cofundadores que fizeram parte da Trackeasier, tínhamos uma cultura bem definida, capacidade técnica de desenvolvimento de produto e sinergia. Esse é o fator que nos manteve em pé após um ano e meio batendo a cabeça na parede.

Você nunca irá trabalhar com um time que enxerga o mundo exatamente da mesma forma que você. E durante a Trackeasier eu entendi isso como uma fortuna. Todos membros eram diferentes, em momentos da vida diferentes e isso nos permitia ter visões diferentes sobre a mesma coisa.

Acho que é fundamental ter verdadeira admiração pela sua equipe, como ouvi certa vez no Startup School da Y Combintor: “Get the best people, mediocre engineers do not build great companies.”. É essa a visão que tenho do Cristiano Costa e Luigi Sica Nery, ambos incríveis profissional e pessoalmente.

(Fica bem fácil “vender” sua startup quando a mensagem vem do ❤! E nada melhor que trabalhar com amigos)

 

Agilidade é a fonte de inovação e motivação

Eu gosto muito da definição do Peter Thiel, em Zero to One: Notes on Startups, or How to Build the Future, sobre startups:

“Startup é o menor grupo de pessoas trabalhando de forma ÁGIL na criação de um futuro diferente.”

As startups se destacaram nas últimas décadas pois as grandes empresas enfrentavam (e ainda enfrentam) dificuldades para inovar, como confrontos de interesses, hipóteses não validadas e muita burocracia em seus planos de inovação.

Quando um grupo menor de pessoas conseguiu agilmente experimentar, aprender e modificar suas ideias, sua capacidade de inovação evoluiu exponencialmente. Essa é a mágica que faz as startups terem mais assertividade em disruptar um mercado, em geral.

O problema é que nem sempre essa é a realidade de uma startup e não tomamos essa atenção na Trackeasier. Por vezes, buscávamos metodologias, sistematizando atividades e encaixávamos burocracia onde não era necessário, indepedindo-nos de trabalhar com micro-conquistas.

Dois motivos pelo qual microconquistas são importantes no desenvolvimento de uma startup: (1) Microconquistas criam a sensação de avanço e isso é um fator motivador ao time; (2) Processos ágeis lhe permitem aprendizagens rápidas, facilitando a construção de soluções mais assertivas.

 

 

Quantos clientes usaram sua solução?

Um dos conceitos mais importante que aprendi no livro Lean Startup, do Eric Ries, é o de APRENDIZAGEM VALIDADA.

Aprendizagem validada é quando sua hipótese é confirmada (ou não) utilizando dados coletados empiricamente de clientes/usuários reais da sua solução. E não se atentar as aprendizagens foi uma notável falha da Trackeasier.

Tínhamos uma equipe técnica — de hardware e software — impecável, nosso hardware era menor que uma moeda de 50 centavos (surpreendendo a todos), nosso aplicativo feito nativamente com uma interface bastante amigável, moderna e com diversas funcionalidades, o case do dispositivo estava em sua n-ésima versão.

Porém não tomávamos atenção a um fator durante todo o processo: ZERO ciclistas haviam testado a nossa solução mesmo depois de UM ANO E MEIO de desenvolvimento.

Apesar de compreendermos a importância da validação através das capacitações e mentorias que recebemos na pré aceleração LAB001, as pivotagens que fazíamos eram mais orientadas as nossas próprias ideias do que de aprendizagem obtida em testes reais com ciclistas.

“Como descobri que hardware não é whisky, mas uma limonada suíça”, é um texto fenomenal feito pelo Luigi, um dos sócios da Trackeasier, sobre esse aprendizado em uma analogia com whisky e limonada suiça.

 

 

Caralho, você AINDA não sabe inglês?

Se você está em uma criando um negócio e ainda não sabe se comunicar em inglês, é hora de fazer algo para mudar isso agora. Eu vou te explicar como aprendi isso em uma experiência real.

Quando a minha startup foi convocada para a final do processo seletivo da Oxigênio Aceleradora, tivemos que nos apresentar para executivos da Porto Seguro e representantes da Plug and Play, uma das maiores aceleradoras do mundo sediada no Vale do Silício.

Nos intervalos das apresentações era possível ir conversar com os avaliadores. Enquanto outros empreendedores conversavam e se conectavam com os representantes da Plug and Play, eu não podia fazer o mesmo porque eu não sabia me comunicar em inglês. A oportunidade foi perdida e isso me gerou um incômodo enorme e fez eu tomar uma atitude a respeito disso de uma vez por todas.

Conheci, depois de um tempo, o Guilherme Godoy, quase formando de Engenharia de Produção da UNIFEI e também professor particular de inglês. Iniciei suas aulas — incríveis, por sinal, recomendo — e bons frutos rapidamente vieram.

Na FINIT – Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia de 2017, depois de alguns meses de aulas de inglês e conseguindo me comunicar moderadamente, eu consegui conversar em inglês com um dos 35 inovadores com menos de 35 da América Latina, de acordo com o MIT.

Falamos sobre as diferenças do México e Brasil, sobre o evento e nossas startups. Naquele momento, eu lembrei do dia em que eu não conseguia me comunicar em inglês e perdi a oportunidade de fazer uma incrível conexão na final da Oxigênio Aceleradora. Essa superação foi uma das melhores sensações que já senti.

Se você tem a ousadia de querer competir GLOBALMENTE, garanta ao menos que a sua comunicação não seja LOCAL.

 

 

Em toda experiência você cria networking.

Depois do anucio do fim da Trackeasier, ouvi coisas como: “Poxa, você se esforçou por todo esse tempo e não adiantou nada.” Na minha visão, aquilo que eu tinha ouvido era uma insanidade, afinal é incontável a quantidade de aprendizado, experiências e, principalmente, CONEXÕES que me foram proporcionados durante todo o processo.

Me relacionei com o Centro de Empreendedorismo Unifei (CEU) onde hoje, como Agente de Inovação e Empreendedorismo, consigo realizar meu #GiveFirst para a comunidade. Conheci de perto aceleradoras notáveis como a Baita Aceleradora e Oxigênio Aceleradora, além de me conectar com muitos outros empreendedores (da Guimo, Agrosmart, Awebic, Irricontrol e outros grandes parceiros locais) de variados níveis de experiências e habilidades.

O mais interessante: durante um Startup Weekend Maker UNIFEI e, posteriormente, trabalhando CEU, conheci a Ana Raquel, uma incrível empreendedora que além da sua energia, atitude e inteligência, tem uma visão de mercado ímpar e vasta experiência com negócios e marketing. Junto com o Cristiano (ex-Trackeasier), a Ana e dois consultores da indústria de alimentos de origem animal, estou conduzindo a Laticin — startup de gerenciamento inteligente de laticínios.

 

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E se você quer saber um pouco mais sobre como toda a jornada da Trackeasier, ouça o Podcast “Roubaram a minha bike e olha no que deu!”

 

 

Texto por Gabriel Roriz

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