Profissões estão morrendo, você está preparado?

 

Olá, muito prazer, meu nome é Cristiano e eu sou programad… – Espera, como assim? Como é possível reduzir meus conhecimentos, todas as coisas que eu realizo durante o dia com uma simples expressão?

Usar um título praticamente como uma ênclise ao nome é recorrente em meios tradicionais: João, o marceneiro; Alice, a motorista; Jorge, o dançarino; Roberta, a musicista. Praticamente adicionamos o sufixo (a profissão) para dar uma amostra mínima sobre as habilidades de uma pessoa, porém, será mesmo que a correlação entre o título e habilidades será sempre a mesma?

Em 1920, o americano Edward Lee Thorndike – com grandes habilidades no campo da psicologia – cunhou o termo “Efeito de Halo”, ou simplesmente Efeito Halo, como chamaremos, com a descrição:

“A possibilidade de que a avaliação de um item, produto ou indivíduo possa, sob um algum viés, interferir no julgamento sobre outros importantes fatores, contaminando o resultado geral”

Supúnhamos então que, ao ouvir “Olá, muito prazer, meu nome é Cristiano e eu sou programador”, o ouvinte (que conhece sobre a área citada, porém interferido pelo Efeito Halo) terá a seguinte impressão nas habilidades que ele julgue que eu tenha:

 

Azul – O que ele inferiu, Vermelho – As que eu tenho

 

Lógico que o exemplo acima é somente ilustrativo, servindo apenas para mostrar que em uma simples expressão, uma gama de habilidades que eu não tenho foram inferidas e o pior: UMA GAMA DE HABILIDADES QUE EU TENHO ME FORAM TIRADAS.

“Mas Cristiano, com o tempo a pessoa vai conhecendo a outra e vai descobrindo as habilidades de ambas”. Meu caro leitor, se você já se engajou em mais de duas atividades simultâneas, já deve saber qual é um dos recursos mais valiosos dos nossos tempos modernos: O Tempo.

Se você tem 5 minutos para se apresentar para alguém que poderá te chamar para realizar trabalhos apresentando somente seu “título”, ou citando apenas suas “formações acadêmicas” e “diplomas”, o risco de interferência é grande e você pode ser avaliado para uma atividade que você não sabe fazer em vez de por uma que você tem domínio.

Agora outra coisa, vamos voltar para a imagem do “Mundo das Habilidades” (que mais parece arte moderna) e questionarmos: Se eu quisesse algum “programador” para ajudar no meu projeto, seria mais interessante um que tivesse todas as habilidades da mancha azul (mesmo que a esmagadora maioria das habilidades daquela região sejam inúteis para o projeto em questão) ou da mancha vermelha, que pode conter habilidades também interessantes para meu projeto, como conhecimentos em marketing, em fotografia, planejamento estratégico, liderança de equipe, dança (pra puxar aquele “forrózinho” depois de um dia estressante), culinária pra fazer ótimos bolinhos de chuva, além de TODAS as habilidades de programador que eu preciso pro projeto em específico?

Os indivíduos multifacetados e de alta adaptabilidade estão ganhando grande relevância no cenário atual, devido a necessidade de agilidade na criação e implementação de novos projetos, que não devem depender da árdua busca por pessoas capacitadas nas mais diferentes áreas, mas sim tê-las do seu lado. Lógico que ainda há meios tradicionais que ainda buscam pelas profissões (vulgo títulos), mas por quanto tempo perdurarão?

Deixo você com dois auto-questionamentos:

Você está se preparando para ter um título ou para ter riqueza de habilidades para a área que você está seguindo?

Você conhece as habilidades das pessoas ao seu redor? Vai que alguém do seu lado “manje” do que você precisa!

 

 

Texto por Cristiano Costa

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