Rejeito da Mineração de Ferro – de problema à solução para o Saneamento

Infelizmente, a disposição final dos rejeitos de mineração em barragens é a solução mais utilizada pelas mineradoras no Brasil. Esta medida gera grandes impactos ambientais, demandam grande área disponível, volumes expressivos de água e expõe a população no entorno da barragem a riscos de acidentes como ocorrido no município de Mariana (MG) em Novembro de 2015, considerado o maior desastre ambiental ocorrido no país.

O Óxido de Ferro (Fe2O3) é o principal componente extraído do minério de ferro e por meio do seu beneficiamento em usinas siderúrgicas é transformado em aço. Processos ocorridos nas mineradoras separam o minério de ferro rico em Fe2O3 de outros minerais sem valor econômico gerando assim, o rejeito da mineração disposto nas barragens. Porém, segundo estudos recentes o rejeito da Mineração de Ferro pode conter ainda entre 40% e 60% de Fe2O3 passíveis de serem reaproveitados e conseqüentemente criar alternativas para minimizar os impactos gerados pelas barragens de rejeito.

Tendo em vista a concentração Fe2O3 de presente no rejeito tem-se desenvolvido no Laboratório de Saneamento da UNIFEI, campus Itajubá, estudos que com vistas à utilização deste resíduo da mineração nos processos de tratamento de água e esgotos.  Uma das formas atualmente estudadas é o reaproveitamento do Fe2O3 para produção de Cloreto Férrico (‎FeCl3) comumente usado como coagulantes na etapa de clarificação em Estações de Tratamento de Água (ETAs). Os consumos destes produtos químicos podem representar um custo de até 11,8% do valor total gasto nas plantas de tratamento de água e fontes alternativas desses produtos que podem acarretar em redução de despesas devem ser consideradas.

Outro estudo desenvolvido atualmente no Laboratório é o uso deste resíduo como controle de odores em Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs).  Grande parte das ETEs brasileiras tem utilizado reatores anaeróbios como tratamento principal, porém a emissão de gases odorantes é um problema de grande importância ocasionado por estas unidades e o controle de sua emissão deve ser considerado em sua rotina operacional. A remoção de odores nestes reatores pode ser feita por meio da instalação de uma espécie de filtro utilizando materiais compostos por óxidos, óxidos hidratados ou hidróxidos de ferro. Logo, a fim de baratear os custos do controle de odores em estações de tratamento de esgotos, é necessário buscar materiais alternativos que contenham estes compostos como é o caso do rejeito da mineração rico em ‎ Fe2O3.

Em ambos estudos obteve-se resultados satisfatórios até o momento. Quanto á produção do FeCl3 a partir do rejeito pode-se observar que o coagulante possui eficiência similar ao produto comercial. Pode-se constatar também a eficiência de remoção de odores pelo rejeito da mineração de ferro similar a outros materiais comerciais. Sendo assim, um problema evidente e de grande impacto ambiental como os rejeitos da mineração podem representar uma solução nas Estações de Tratamento de Água e de Esgoto.

 

 

Texto por Athos Lopes

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