Um Itajubense em Itabira

Depois de ler o texto do meu grande amigo Felipe Felicioni, fiquei muito inspirado para contar um pouquinho da minha história.

Tenho 21 anos e atualmente estudo na universidade dos sonhos, a grandiosa e majestosa UNIFEI, mas posso afirmar com todas as letras não foi fácil estar aqui.

Tudo começou quando estava no ensino médio e o meu maior desejo era prestar vestibular pra medicina e virar um grande médico, porém, já tinha em mente que tinha que passar em uma federal pois meus pais não teriam condições de me manter em uma instituição privada. Com os anos se passando, em 2014 foi a hora da verdade, estava no terceiro ano e não queria fazer cursinho de maneira nenhuma. Com o resultado do Sisu, a primeira grande decepção que pude sentir na pele, minha nota não daria para as faculdades de medicina.

Ainda persistente iniciei meu cursinho, em Itajubá mesmo, e já me deparei com um clima totalmente diferente do ensino médio, alunos focados e disciplinados que exalavam uma vontade tremenda. No decorrer do ano fui percebendo que a minha vocação não estava na área da saúde, é sim na engenharia. Com o Enem 2015 se aproximando o foco foi aumentando, porém a ansiedade e o desespero tomaram conta de mim e não consegui um bom resultado. A minha nota não daria para ingressar na UNIFEI, até então queria Engenharia de Produção, pois foi a que mais me identifiquei. Quando o Sisu abriu eu já sabia que a nota não daria em Itajubá, pensei em jogar em Lavras ou em São João Del Rei, mas nenhuma delas era a minha Unifei. Foi então que eu descobri, junto de dois amigos a UNIFEI – Campus Itabira, e minha esperança acendeu de novo, não iria precisar fazer outro ano de cursinho. Joguei minha nota em Engenharia Ambiental em Itabira pois não queria correr o risco de não ser chamado e me frustrar novamente. Passei na primeira chamada da lista de espera e só depois que fui anunciar a notícia para os meus pais.

Chegando em casa, contei para minha mãe e ao mesmo tempo ela explodiu de alegria, já meu pai não ficou muito contente, mas eu entendo ele, sou o filho caçula e ver seu filho menor saindo de casa e indo morar a 600 km de você não deve ser nada fácil. Chegou o dia da matrícula e na cabeça do meu pai Itabira era pertinho de Belo Horizonte, uns 20 minutos, pelo menos foi o que eu falei para ele mal ele sabia que era mais de 2 horas dependendo do trânsito. Chegamos lá e fomos direto para o Campus da Universidade, um lugar muito bonito e tudo muito novo realmente muitas novidades.

A primeira impressão da cidade foi catastrófica, uma cidade diferente, nada parecido com o que eu estava acostumado. Fiquei sozinho durante uns dias pois passei primeiro que meus amigos, logo em seguida eles chegaram.

Como nem tudo são flores, a convivência com meus amigos começou a ficar desgastante, aprendi que a amizade e o fato de morar junto são duas coisas muito distintas e por isso decidi me mudar no segundo semestre para que a amizade não fosse afetada. Fui morar em uma pensão que poderia, mas ser chamada de república, era um prédio de 3 andares com 2 apartamentos por andar e lá moravam 27 estudantes da unifei. Nunca em minha vida eu tinha visto um lugar tão bom de se morar, todos se ajudavam, afinal, éramos em sua maioria bixos em um lugar um pouco menos desconhecido até então.

Com o ano de 2016 passando a prova de transferência interna para a UNIFEI – Campus Sede se aproximava, dos 27 moradores do prédio em que eu residia uns 15 que eu podia chamar de amigos verdadeiros tentaram vim pra Itajubá, fiquei muito contente pois não iria separar a amizade, porem dentre esses 15 estudantes 12 passaram e infelizmente eu não estava entre eles. A Frustração veio à tona novamente, contudo eu tinha em mente que não iria desistir.

Com as férias chegando ao fim e 2017 se iniciando eu retornei para Itabira com ainda mais sangue nos olhos para ser aprovado na transferência e voltar para minha terra natal, eu não tinha mais escolha, pois, meu pai paga faculdade para o meu irmão e estava difícil de me manter em Itabira. Passando mais uns meses eu percebi que a minha estadia na cidade estava ficando cada vez mais impossibilitada pelo fato de meus pais estarem apertados, então tive que tomar a decisão mais difícil da minha vida, trancar a faculdade e estudar por conta própria para a prova de transferência.

Posso dizer que foi o período mais difícil da minha vida e que quase desisti de tudo, a dedicação de estudar por conta própria em casa e ter a disciplina para fazer isso foi muito difícil para mim.

Foi então que a prova chegou e eu estava mais preparado do que nunca, contudo muito nervoso pois caso eu não passasse eu tinha a certeza que não poderia retornar a Itabira devido a situação financeira que estávamos passando e o medo de um futuro incerto. Realizei a prova e não quis nem conferir o gabarito, coloquei na mão de Deus e o que ele havia reservado pra mim era o que ia ser.

Como o resultado demorava um pouco mais de 1 mês eu continuei vivendo minha vida tentando não pensar muito nisso, devido a grande ansiedade que eu tenho com essas coisas. O resultado era pra ser divulgado no dia 06 de novembro, se não me engano, e entre a data da prova e o resultado oficial estava no período da bota pra fazer e como participo todos os anos desde que ingressei na faculdade, mesmo com o curso trancado eu quis participar. No dia 28/10 fomos em uma escola municipal no bairro Medicina em Itajubá realizar o nosso projeto e depois que finalizamos eu fui pra casa da minha vó já que ela morava a poucos quarteirões do local.

Chegando na casa da minha vó, ela sempre muito preocupada estava me perguntando da prova e falando que rezou muito e que daria tudo certo, eu não querendo desaponta-la porem sem esperanças concordava com suas palavras com um falso sorriso no rosto. Foi então que meu celular começou a explodir de mensagens, o resultado havia sido antecipado, uma amiga minha de Itajubá que estudava comigo em Itabira mandou um enorme “PARABEEEEENS” no Messenger e como outros amigos meu tinha realizado a prova quando vi no grupo do WhatsApp a seguinte mensagem: “GERAL PASSO” já comecei a pular em cima da minha vó e não conseguia acreditar no que estava acontecendo, não tinha pessoa melhor pra estar comigo nesse momento.

Com o ano de 2018 se iniciando realizei minha matricula no dia 08/01/2018 na Universidade Federal De Itajubá, AGORA SIM CARAI!, meu sonho se realizou e novamente não foi fácil.

Só tenho a agradecer por todos que fizeram parte da minha trajetória ate agora, aos meus amigos e amigas de Itabira cada um de vocês tem um espaço especial em meu coração e vou leva-los comigo por toda minha vida, podem ter certeza que sem o auxilio de vocês eu não seria a pessoa que sou hoje. Aos meus amigos e novos amigos que fiz em Itajubá, principalmente na Equipe Uai!rrior, muito obrigado por me acolherem dessa maneira e por fazer eu me sentir querido e especial todos os dias!
Isso foi um pouco da minha história e gostaria de encerrar dizendo que toda conquista depende de nossa perseverança , força de vontade e Fé, lute sempre mais um pouco pois as vezes só falta um único passo para a vitória, muito obrigado!

 

 

Texto por Júlio Cortez

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